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Além de monumento nacional, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, construído em estilo gótico para a ordem de S. Domingos, na transição dos séculos XIV e XV e assinalando a consolidação da independência nacional face a Castela, tem igualmente fortes relações históricas com as tradições operativas das corporações de ofícios da Ordem Maçónica.

De facto o historiador Cristóvão Aires menciona na sua “História Militar”, citando Alexandre Herculano, que um dos seus principais arquitectos, o irlandês David Huguet, substituto do seu antecessor, mestre Afonso Domingues, demonstrara, através de documentos autênticos, ter estado na presença do grão-mestre da sociedade secreta dos obreiros edificadores durante a sua juventude, antes de vir para Portugal na comitiva de Jonhn of Gaunt, duque de Lencastre, cuja filha virá a casar com o rei D. João I, tornando-se a rainha D. Filipa (encontram-se ambos sepultados naquele mesmo local).

 

Mosteiro da Batalha: um monumento maçonico operativo.

 

Por outro lado, o historiador maçónico Timoléon François Bégue (Clavel), citado por Miguel António Dias na sua obra “História Pitoresca da Franco-Maçonaria”, bem como o conde Athanasius Raczynsky, embaixador prussiano em Lisboa, no seu livro “Les Arts en Portugal”, afirma ter o Mosteiro da Batalha sido construído por uma confraria arquitectónica, vinculada à Grande Loja de Iorque, grande difusora da arquitectura gótica na Europa e fundada em 926 pelo príncipe Edwin, irmão do rei anglo-saxónico Athelstan, de Inglaterra.

Finalmente o historiador maçónico Miguel António dias, grão-mestre fundador do Grande Oriente da Maçonaria Eclética Lusitana do século passado, chega mesmo a sugerir a cedência ou venda do monumento (já devoluto pela extinção das ordens religiosas) pelo governo à Maçonaria, que aqui poderia realizar as suas assembleias constituintes contra a obrigação da sua conclusão arquitectónica e preservação patrimonial.

Radicando a génese da Maçonaria na tradição técnico-simbólica do oficio operativo da construção, tão escassamente documentado e mal conhecido, o contexto português tem sido quase nada investigado comparativamente ao internacional.

Um tal esforço epistemológico implicaria a investigação transdisciplinar profunda e demorada — no âmbito académico conjunto da História e da História da Arte de inumeráveis acervos documentais datados entre os séculos XII e XVIII e espalhados por variadíssimos arquivos públicos e privados de norte a sul do País, debruçando-se concretamente sobre as relações estatutárias das corporações socioprofissionais, mesteres de oficios mecânicos e companhias de pedreiros e escultores com os arquitectos, artistas imaginários, ordens religiosas e militares e encomendadores régios, nobiliárquicos, eclesiásticos e burgueses, bem como sobre as respectivas fontes de formação e informação pedagógica, tratados modelares, formas jurídicas contratuais administrativas, financeiras e comerciais.

Interior da igreja do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa

Contudo, é perfeitamente possível referir alguns elementos disponíveis sobre esta questão concreta, aludindo com clareza elucidativa à presença maçónica operativa em território português. Com efeito, historiadores como Cristóvão Aires, Alexandre Herculano, Miguel António Dias, Timoléon François Bégue (Clavel), o conde Athanasius Raczynsky e Raúl Rêgo mencionam a vinculação do arquitecto irlandês David Huguet — que coordenou em determinada fase a construção do Mosteiro da Batalha, no século XIV — à Grande Loja~ de lorque em Inglaterra, referindo a Maçonaria medieval como resultante do contacto espiritual e cultural entre arquitectos muçulmanos e cristãos por toda a Europa medieval.

Por um lado, confirma-se a participação portuguesa neste contexto itinerante medieval da Maçonaria operativa europeia — a capela gótica quinhentista privativa da família aristocrática escocesa Saint-Clair of Rosslyn (próximo de Edimburgo), grão-mestres hereditários nacionais da Escócia entre os séculos XV e XVIII por privilégio real, ainda hoje se designa significativamente por “Capela dos Portugueses” —, assim como, por outro, pelos enunciados atrás efectuados, se conhece que os detentores da gnose construtiva não eram exclusivamente plebeus — veja-se o caso exemplificativo do monge cisterciense francês Roberto, referido como arquitecto e autor tradicional da planta da igreja do Mosteiro de Alcobaça, enviado a Portugal por Bernardo de Claraval, abade geral da Ordem de Cister, com o objectivo de supervisão técnico-logística.

Fachada principal da igreja do Mosteiro de Alcobaça (esquerda). Convento de Cristo em Tomar (direita)

Tais questões alertam-nos efectivamente para as características da intervenção participativa dos maçons operativos na edificação de qualquer singela igreja matriz paroquial ou edificio palatino ou civil até relevantes complexos monásticos como os atrás referidos, ou até mesmo o jeronimita de Santa Maria de Belém ou o templário de Cristo em Tomar — em qualquer caso, marcando a sua presença, gravando as pedras com as suas siglas profissionalmente identificativas, imbuídas de profundo e inequívoco significado simbólico-iconográfico.

Ainda que se desconheça a data precisa da constituição das corporações mesteirais de ofícios em Portugal (embora tão ou mais antiga que a própria fundação da Nacionalidade), em Lisboa surge, em Dezembro de 1383, uma instituição confederante destas, de representação consultiva junto da autarquia da capital, a Casa dos Vinte e Quatro (constituída por dois representantes de cada um dos doze ofícios oficialmente representados), extinta com a consolidação politica do liberalismo socioeconómico em 1834. Com efeito, este organismo terá preservado a integridade da idiossincrasia operativa dos mestres agregados, tal como a sua hierarquia administrativa se apresenta paralelamente analógica à terminologia da escala iniciática da primeira estrutura maçónica especulativa portuguesa — a “CasaReal dos Pedreiros-Livres da Lusitânia” , à qual pertenceram alguns maçons operativos, entre os quais o arquitecto húngaro Carlos Mardel, responsável pela reedificação da Baixa Pombalina após o terramoto destrutivo de 1755.

No entanto, e apesar da proliferação e multiplicação de sociedades maçónicas operativas portuguesas, particularmente ao longo dos séculos XVII e XVIII, o processo de especulativização filosófica e iniciática em Portugal - como em todo o mundo - não foi directo, antes descontínuo devido à implantação nacional das primeiras lojas especulativas, na primeira metade do século XVIII, de raiz inglesa e protestante — portanto culturalmente estranha a Portugal —, nunca se relacionando directamente com a tradição operativa dos países de acolhimento, ainda que tenha eventualmente absorvido em parte algum contributo dessas corporações operativas moribundas (embora separando na prática a componente técnico-académica da arquitectura, remetida à exclusividade pedagógica do ensino superior elitista).

A Maçonaria em Portugal

Procurando assim efectuar uma síntese histórico-evolutiva da presença maçónica em Portugal (hercúlea tarefa a que hoje já correspondem ensaios portentosos cabalmente estruturados), o meu objectivo passa única e simplesmente por uma tentativa concreta e possível de articular os marcos principais do desenvolvimento cronológico da sua existência efectiva, quer através das suas manifestações externas, quer pelos seus organismos institucionais representativos divulgando o tema junto do grande público, pouco ou nada familiarizado com ele.

 

Ilustração da Bible Moralisée, c. 1250

 

Desta forma, cumpre-me desde já definir preliminarmente o assunto em causa: o que é a Maçonaria? Poderemos dizer de uma forma simplista que se trata de uma fraternidade esotérica internacional postulando uma via de evolução espiritualista não identificada com nenhuma confissão religiosa - contudo radicando na tradição socioprofissional operativa dos grémios e corporações arquitectónicas da Antiguidade, da Idade Média e do Renascimento -, expressa na evolução pedagógica iniciática gradual proposta por cada um dos diversos ritos que a constituem ou sistemas litúrgico-doutrinais distintos transmissores de reflexão simbólica geométrico-cavaleiresca, através da dinâmica instrutiva desenvolvida e realizada nas lojas ou células de trabalho maçónico agrupadas colectivamente em Obediências ou federações hierárquico-territoriais administrativas.

Posto isto, resta-me convidar o leitor a viajar comigo através da evolução nacional deste universo fascinante(microcosmos que espelha e representa um macrocosmos ainda mais excelso)que é a Fraternidade Maçónica, egrégora ou família espiritual em demanda contínua de um ideal de Construção permanente do Cosmos e da Humanidade.

O Esoterismo na Arte Portuguesa

As palavras “esoterismo” e “exoterismo”, que por vezes confundem os leitores menos prevenidos, designam uma oposição relativa entre o que, de uma forma geral, é entendido por toda a gente e aquilo que, de algum modo, exige uma “iniciação” por se tratar de assuntos especializados ou por existir uma vontade de ocultação de que podem ser exemplos os vários “calões” (nos “profissionais” que querem guardar os segredos da profissão) ou, num outro extremo do “espectro” de ocultação, no meio dos ladrões “profissionais” e outros fora-da-lei. Mas, no sentido mais usual, o termo “esoterismo” é usado para designar temas relacionados com religiões, movimentos místicos ou filosóficos, doutrinas, disciplinas ou obediências secretas menos divulgados, exigindo uma informação e uma “formação” prévias.

O Esoterismo na Arte Portuguesa

Nesta perspectiva, um retábulo de igreja é uma obra exotérica porque pretende dirigir-se a toda a gente e ser entendida por toda a gente que conheça minimamente a temática religiosa; torna-se esotérica a partir do momento em que os visitantes da igreja ignorem as significações religiosas e simbólicas do retábulo ou estas sejam de algum modo ocultadas. Quanto ao espectador familiarizado com as doutrinas da religião em questão e com os respectivos símbolos, não terá dificuldades de maior em apreender a significação do mesmo retábulo. Certamente isto é óbvio para muitas pessoas; mas é também uma fácil desculpa para muitos “turistas” da arte não fazerem o mínimo esforço de compreensão e ocultarem a sua ignorância, acusando a arte de não possuir nem procurar qualquer significação para lá do mero divertimento (?) ou de um jogo gratuito desprovido de objecto, de regras, de qualquer substância significante.
Os esoterismos e os respectivos códigos simbólicos (ou de cariz intencionalmente oculto aos não-iniciados) são por natureza desconhecidos do grande público. No nosso país, onde a história da arte e a investigação dos movimentos do pensamento artístico (nos próprios aspectos de inventariação, mesmo antes de se chegar aos seus aspectos temáticos, programáticos, religiosos, filosóficos, estilísticos e aos seus entrosamentos locais e globais) ainda são pobres e muito recentes, afigura-se difícil arriscar vistas panorâmicas e conclusões generalizadas. A questão torna-se ainda mais delicada no caso de buscarmos justamente aquilo que se quer menos perceptível para a generalidade das pessoas. Assim, é prudentemente que devemos avançar na avaliação das “pistas” suspeitas ou das revelações recentes. Mas essa prudência não exclui o interesse vivíssimo e as descobertas que excitam a inteligência e o sentimento daqueles que se interessam ou se apaixonam por matéria tão excitante ou tão importante para os homens sequiosos de uma perspectiva ou de uma visão mais completa e mais profunda da arte e da alma humana.

Introdução ao Tarot

O Tarot, a Numerologia, a Astrologia, assim como outras disciplinas, derivam de uma antiguidade remota e de um saber perene que, pela força dos seus símbolos e imagens, naquilo que contêm de mais rico e essencial, conduzem ao limiar dos arquétipos fundamentais da psique humana e à compreensão das energias estruturais, presentes em qualquer forma de vida. Quer este manancial de saber tenha sido legado por consciências sobre-humanas ou intuídas por alguns de nós ao longo dos tempos, o que é relevante e significativo é que a sua mensagem se apresenta ainda hoje plena de sentido e significado.
No caso do Tarot, as imagens que ilustram os princípios subjacentes às formas podem variar consoante as consciências que as captam (daí a enorme proliferação de baralhos no mercado). No entanto, os modelos ou arquétipos fundamentais perduram e permanecem os mesmos em relação à sua essência. Veja-se o tema da felicidade, que é tão válido para o antigo Egipto como para o homem de hoje.
O que acaba de ser exposto pode levantar a seguinte questão: se os temas abordados pelos Arcanos do Tarot sempre foram válidos, porquê reinterpretá-los de uma forma moderna? Ora, apesar de os símbolos não se esgotarem pela sua representação, o exercício de recriá-los e vivificá-los pela nossa imaginação criativa leva a que cada um de nós participe quer na repetição dos modelos emblemáticos (processo de desenvolvimento e de evolução a nível colectivo), quer na forma como vivencia e actualiza estes arquétipos na sua experiência concreta existencial. A harmonização e a união entre o abstracto e o concreto, entre o essencial e o existencial, será o percurso individual e singular, por isso original e criativo, que cabe a cada um levar a efeito.
Os Arcanos do Tarot e os Números representam aspectos essenciais dos marcos da estrada que temos de trilhar, visto que, de uma forma ou de outra, queiramos ou não, já fomos lançados no Mundo. Como tal, cabe-nos a nós, peregrinos da vida, fazer que esta possa vir a ser uma estrada iluminada na qual o viajante e o caminho se encontrem como as partes complementares de uma mesma realidade. Deixo-vos, pois, aqui o testemunho de alguém que tentou interpretar os marcos e os sinais deste percurso.

Introdução ao Tarot

Alguns Arcanos Maiores do Baralho de Tarol de Visconti-Sforza, atribuído ao pintor António Cicognara ou à sua escola (segunda metade do século xv,).

A Humanidade sempre se esforçou para compreender o seu destino. As sociedades mais primitivas possuíam métodos e técnicas divinatórios. Do Oriente ao Ocidente, estas práticas foram evoluindo até aos nossos dias, umas mais divulgadas, outras mais secretas. A mais antiga referência acerca da existência de adivinhos data de 4000 a. C., na antiga Suméria. Na antiga Grécia, cerca do século VIII a. C., o Santuário de Apolo era um dos maiores centros oraculares, onde Delfos era consultado. As Sibilas, mulheres misteriosas, eram também frequentemente consultadas, pois através delas Deus podia falar.

Artes Divinatórias e Curas Tradicionais

Nos santuários do antigo Egipto existia “o lugar da visão e do oráculo”, onde apenas o adivinho “Baru” podia entrar. Na China Imperial, onde o Livro das Mutações - I CHING — era considerado o oráculo mais antigo, os sacerdotes lançavam moedas para poderem obter as respostas no livro, uma prática ainda hoje em vigor em Africa, é usual o feiticeiro lançar ossos de galinha dentro de uni círculo desenhado no solo para poder ler a resposta. Por seu turno, muitas tribos norte-americanas interpretam os sonhos para encontrar respostas para as suas questões. Em muitas sociedades orientais e ocidentais, os mandalas, ou círculos, são também usados para adivinhação.
Também os antigos judeus tinham um oráculo no antigo Santuário de Jerusalém, onde jeová era consultado pelo sacerdote. Do mesmo modo, os aborígenes australianos consultam o seu xamã, o qual obtém a resposta através dos seus espíritos auxiliares, enquanto no Nepal o adivinho usa um tambor para a mesma finalidade.

Cavaleiros do Templo

Aos primórdios da Milícia dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou ainda da Santíssima Trindade, refere-se o cronista Jacques de Vitry que viveu cerca de um século após a criação da Ordem. Segundo ele, um homem já idoso, Hugues de Payen, e um companheiro, Godefroy de Saint-Omer, tendo decidido consagrar-se a Cristo, partiram, em 1096, para Constantinopla, onde receberam do pontífice Teocletes, 67. ° Sucessor do Apóstolo João, a incumbência de fundar um instituto militar religioso. Vinte e dois anos mais tarde, já em Jerusalém, e depois de terem convocado sete outros companheiros, consagrar-se-iam a Deus adoptando a Regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, desempenhando as suas funções com hábitos seculares e acumulando as dádivas dos peregrinos generosos a cuja protecção se haviam devotado. A designação de Templários advir-lhes-ia da circunstância de o rei Balduíno II lhes ter cedido umas dependências, situadas junto à Cúpula do Rochedo, no local em que Salomão sediara o seu templo.
Em 1128, o Concílio de Troyes decidia, a instâncias de S. Bernardo, atribuir aos Templários uma regra cuja redacção seria inspirada pelo mesmo abade de Claraval. A ele ficaria, contudo, a dever-se um documento, porventura mais importante do que esse outro aprovado no Concílio, porquanto, se a Regra visava constituir o estatuto normativo oficial da ordem no temporal, a Carta em louvor da nova Milícia havia de reger a praxis dos seus confrades no espiritual.

Os Templários

Data, portanto, de 1128 a constituição efectiva da Ordem do Templo, por sinal o ano exacto em que se assinala o nascimento de Portugal como Estado independente de facto.
Apesar de documentada antes desse ano a presença de procuradores da Ordem no território portucalense, só a partir de então o Templo começaria a arrecadar bens a um ritmo que não deixa margem para dúvidas quanto à receptividade que aqui encontrara o seu ideário, ao ponto de o próprio Afonso Henriques se haver feito confrade da Milícia.
A importância crescente que os Templários haviam de assumir é, todavia, indissociável do papel preponderante que esse instituto, criado expressamente para custodiar e defender os lugares santos da Terra, iria desempenhar na geopolítica peninsular, terreno reconhecidamente privilegiado para o contacto com formas singulares de religiosidade e, nomeadamente, com a herança do mundo antigo, preservada pelo Islão.
O mapa do Portugal templário atesta, mesmo que os documentos a não explicitem, a preocupação dos dignitários provinciais de assumirem o controle de determinadas regiões consideradas chave, e não exclusivamente do ponto de vista militar e económico, de molde que, à medida que as vão integrando no património da Ordem, passem a administrar, com a visão que se lhes não pode negar, um território cuja coesão advém de uma qualidade intrínseca e essencial. Efectivamente, se houve ordem religiosa e militar que teve o dom de proceder à sacralização do planeta de acordo com os preceitos geomânticos tradicionais legados ao Ocidente pela antiguidade greco-latina, originando o que pode designar-se por geografia sagrada, a Ordem do Templo foi um dos seus mais elevados expoentes nos tempos medievais.

O Espiritismo em Portugal

Em breves palavras, o espiritismo é simultaneamente uma filosofia de elevada moral, uma religião, uma vez que estabelece preceitos, pelos quais se rege, para comunicar com seres superiores, e uma ciência experimental que ensina a composição ternária do homem, o estado transitório do espírito no astral e a lei das reencarnações, com todas as suas consequências individuais e sociais.
Embora o iluminismo no século XVII tenha produzido a separação radical entre a ciência e o ocultismo, o aparecimento do espiritismo na segunda metade do século XIX atraiu um grande número de cientistas e de sábios de renome, que se dedicaram a investigações experimentais com o auxílio de instrumentos científicos.

Espiritismo

Em Portugal, não existem dados concretos que nos permitam afirmar com exactidão nem quando surgiu o espiritismo, nem quando se iniciaram as primeiras investigações.
Sabemos no entanto que em 1900 o Dr. Martins Velho, futuro primeiro presidente da Federação Espírita Portuguesa, assistiu em Paris a várias sessões de materialização. E bem possível que tenha sido ele o precursor do estudo científico do espiritismo no nosso país, a que se dedicaram, entre outros e para além de Martins Velho, Mme. Lacombe, os Drs. Sousa Couto, Lobo Vilela, Amílcar de Sousa, António Freire.
No início dos anos 50, devido à intervenção do Estado Português, que selou as instalações da Federação Espírita Portuguesa e mandou encerrar os centros espíritas, gorou-se a criação de um laboratório de meta- psíquica, e o espiritismo foi quase reduzido ao silêncio.
Após o 25 de Abril de 1974, o espiritismo renasceu das cinzas, mas surgiu diferente: a componente religiosa suplantou a investigação, que foi praticamente posta de lado.
Foi necessário esperar mais de 20 anos, mas em 1997, graças a bolsas atribuídas por uma multinacional, um grupo de psicólogos começou a investigar cientificamente algumas manifestações mediúnicas. 

Astrologia, palavra de novo presente, velha como o tempo dos homens, que o século XX viu ressurgir das profundezas do passado. Palavra que em cada um provoca as mais diversas reacções. Da indiferença à curiosidade, do fascínio à indignação. O que é realmente a Astrologia, esse conhecimento dos astros que tanto diz a quem nele se inicia e tanto inquieta quem o não tem?

 

Zodíaco

Fundamentalmente, a Astrologia é uma linguagem simbólica. Exprime-se por símbolos que tratam do Homem entre a Terra e o Céu, do seu íntimo e inexorável relacionamento. Fala do que se vê: o Sol, a Terra e os outros planetas. Ensina o que se não vê: como as rotas dos astros interagem no psiquismo de cada um. Isso torna-a tão fascinante para alguns, vaga ou absurda para muitos. Mentes formadas neste século, em que a razão é o grande mito, sempre resistem quando confrontadas com o símbolo, força impossível de analisar. Menosprezando o poder oculto da sua própria criatividade, muitos rejeitam o que lhes aparece como não-racional, como ponte entre o Visível e o Invisível, o Material e o Imaterial.
Tempos houve em que os homens sabiam do Invisível, da verdade do seu mundo interior. Era-lhes se não totalmente conhecida, pelo menos familiar.

Sebastianismo - As Origens

O sebastianismo não se esgota nos âmbitos étnico e nacional, aos quais, quase sistematicamente, tem sido confinado. Convém antes integrá-lo no contexto mais amplo do movimento em torno das ideias e ideais milenaristas que desabrocharam a partir do modelo explicativo da história do mundo proposto pelo abade Joaquim.
Os contributos proféticos e messiânicos, pré-cristãos, judaico e islâmico, consabidamente vigentes no espaço peninsular, com os quais o joaquimismo foi habilmente entrosado, capacitá-lo-ia para assumir o carácter sui generis, o vigor e a longevidade que se lhe reconhece.

D. Sebastião

D. Sebastião como Dux (Vingador e Restaurador do Cristianismo). Retrato marcial
pintado por Cristóvão de Morais em 1571 para ser oferecido ao papa Pio V (1566—1572). Extraordinária ilustração retórica da Monarquia Cristã e Universal, à semelhança dos retratos de Carlos V pintados por Ticiano. Com efeito, emulando a pose imperial dos Habsburgos, da mesma maneira que Carlos V imitara Maximiliano 1, D. Sebastião é retratado como miles christianus (cavaleiro cristão), de armadura, a mão direita no quadril e a esquerda no punho do gladium mundi, insígnia do poder supremo, distintivo por excelência do defensor dafé (cultor gladi). O cão lebreu, à dextra, também inspirado na iconografia de Carlos V (retrato pintado por Jakob Seisenegger em 1530), denuncia o carácter gibelino (antipapal) do projecto sebástico. Certamente, esse o motivo por que o retrato não terá sido conservado na Vaticano, acabando por ser adquirido num antiquário romano pelo conde de Penha Longa e oferecido ao Museu Nacional de Arte Antiga, em 1909.

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